IN_ERNO INCANDESCENTE

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sábado, 16 de outubro de 2010

A FESTA

Não lembro como começou, mas eu já tinha tomado a 5ª taça de vinho tinto e nem estava com tanta sede assim. Depois do ultimo gole, o ambiente parecia mais quente que um aquecedor de carro. Piorou quando vi você olhando pra outra, bem na minha frente, trazendo de volta aquele sentimento abortado e guardado dentro da minha casca. Mesmo com minhas pupilas dilatadas, percebi teu insuportável desejo de devorá-la bem ali, na multidão. E ela, do tipo que não lê romances, nem lembra sequer o numero do teu celular; inteligente demais pra não ousar deitar numa cama de gelo e se queimar. Porque você é como o crack, barato e vicia logo na primeira vez que se usa. Você é a rotina desgastada de quem tenta, sem sucesso, todos os dias um novo começo. Você é o movimento mais frágil e suave que se pode ter. Você é o medo de errar, antes mesmo de chegar a tentar. Você é o desequilíbrio dos movimentos bruscos e repetitivos. Você é a redução da capacidade de sentir prazer nas coisas mais simples. Você é dançar “aquela musica” sem sequer sair do lugar. Você é a nicotina absorvida pelos pulmões e distribuída por todo corpo. Você é a obstrução parcial de todos os meus órgãos genitais. Você é tão prejudicial que me faz cometer uma transgressão atrás da outra e mesmo assim, me sentir a mulher mais normal do mundo. E mesmo com tanta sede, como estou agora, não consigo buscar outra taça de vinho porque é tão fascinante ficar aqui sentada, nesse sofá, estupidamente caro, te olhando há mais de uma hora, parecendo uma completa idiota; esperando alguém me trazer um shampoo anti-resíduo para que eu possa fazer uma limpeza profunda e me livrar de todas as impurezas que tem me deixado, sem vida, opaca e fragilizada.

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